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Contratar um programador freelancer, uma empresa de desenvolvimento, ou montar um time para desenvolver meu software?

É muito comum quando uma pessoa precisa desenvolver um aplicativo, um software, ficar nesta duvida, se contrata um desenvolvedor autônomo, ou uma empresa especializada, ou se monta um time para desenvolver por conta própria. 

Como tenho trabalhado nesta área nos últimos 20 anos, fui cada um dos três papeis, e já tomei também as três decisões quando precisei fazer um projeto. Acho que posso falar com propriedade sobre isso e te ajudar a clarear um pouco mais.

Observe que nenhuma opção é a certa, vai muito da sua capacidade de investimento, maturidade, tipo e tamanho do projeto.

Contratar um programador freelancer

É com certeza a opção mais em conta, mais barata. Se você quer pagar pouco, esta é a opção que mais te chama atenção, é a primeira que lhe vem a mente. Porém precisamos ficar atento a outros detalhes.

Com frequência me procuram perguntando se “posso pegar um projeto no meio do caminho”, que foi começado por um freelancer, que em algum momento resolveu que:

  • Não dava mais pra fazer, ou…
  • Arrumou um emprego e não pode mais se dedicar, ou…
  • Percebeu que era mais difícil do que parecia quando combinaram, ou…
  • Nunca colocou um projeto online e não sabe realmente como se faz isso, ou…
  • Mesmo tendo garantido que sabia fazer, e achando mesmo que sabia fazer, não estava sabendo fazer, ou…
  • Sumiu do mapa, não atende mais os telefonemas, só mandou o código fonte por email e vazou.

E a lista continua. Quando me pedem para assumir este tipo de projeto, em 99% dos casos já digo não logo no primeiro contato, porque sei que a qualidade do que virá é realmente muito baixa.

O freelancer que não consegue levar um projeto até o final, em boa parte das vezes é uma pessoa que não consegue ter noção do tamanho de um projeto, não consegue prever as dificuldades que irá encontrar, ou achou que seria fácil resolver o problema fazendo o projeto bem rápido, em poucas semanas, sem focar tanto na qualidade interna.

O freelancer bom, leva o projeto até o final a não ser que algo muito inesperado aconteça. Conheço vários profissionais assim, que fazem projetos de alta qualidade e são altamente responsáveis pelo que fazem.

Tem contrato?

Este é um ponto de atenção. Se você está inclinado a contratar um freelancer, pense seriamente em ter um contrato, falando ali sobre os valores, prazos e principalmente os entregáveis, ou seja, o que precisa ter pronto ao final do projeto. Já coloque no contrato multas e tudo mais, para realmente fazer o freela pensar duas vezes antes de resolver abandonar o projeto no meio do caminho.

Já pagou tudo antes do final?

Este é o maior erro de todos, pagar 100% do projeto antes dele estar pronto. Recentemente uma pessoa me procurou buscando ajuda, porque tinha pago todo o projeto e sequer tinha visto funcionando. Quando perguntei o que ele tinha visto afinal do projeto, ele me mostrou três ou quatro prints que o programador enviou para “provar” que estava quase pronto…

Se for contratar um freelancer, ou empresa, sempre deixe de 20% a 30% do valor para após a entrega final. Ou seja, quando tudo estiver online e funcionando, ai sim você paga o restante. Já deixei isso combinado no contrato.

As parcelas, só pague mediante entregas. Se você vê funcionando (print não serve, pode ser até ver na tela dele, mas, usando em tempo real), você vê que o projeto está caminhando, e então é a hora certa de pagar uma parcela. Você anota os erros e falhas observadas, passa para ele, e na próxima entrega confere se todas foram resolvidas.

Já vi casos de pessoas próximas receberem todo o valor de um projeto no começo, gastarem o dinheiro todo em poucos dias, e dai tem lá um projeto de quatro meses pra frente para ser feito… que desânimo isso deve dar! Dai, dali um tempo o dev já não está mais tão interessado no projeto, já bate aquela preguiça de fazer os detalhes, não tem contrato, fica fácil desistir.

Uns anos atrás um amigo meu (que mora em outra cidade) precisava de um desenvolvedor iOS, e queria tudo rápido, pra ontem, e me pediu indicação de algum freelancer. Dai eu tinha um conhecido aqui na minha cidade e perguntei se interessava e tal, e recomendei. Depois de um tempo me liga esse meu amigo, perguntando se eu sabia o endereço do cara, porque já tinha mais de um mês que ele não respondia os emails, não atendia as ligações dele. O projeto até parecia que estava caminhando, mas o ele já tinha recebido todo o dinheiro do projeto, e ainda faltavam uns 40% para ser entregue.

Fiquei chocado. Porque nitidamente ele não iria terminar o projeto. Ao mesmo tempo eu não sabia se deveria procurar ele ou não diretamente para conversar e tal. O que fiz foi conseguir o endereço dele e o telefone da esposa. Meu amigo abriu um processo e a coisa até hoje não chegou ao final. O projeto, claro, foi pro espaço, ele não teve mais cabeça pra começar do zero com outra pessoa.

Bons profissionais existem

Conheço profissionais muitos bons em suas áreas, programadores também, designers, web designers, desenvolvedores de aplicativos e tudo mais, que conseguem sim fazer um serviço de altíssima qualidade sendo freelancers, autônomos. O que percebo neles é que não aceitam fazer coisas em prazos absurdos, não conseguem começar um projeto em poucos dias (porque normalmente já um ou dois clientes fechados já para começar, ou concluir), e cobram um preço bom, um preço maior. Não são daqueles baratinhos. 

Em plataformas tipo upwork e freelancer, você pode ver as avaliações de clientes anteriores, e contratar pessoas que já fizeram o que se predispõem a fazer, isso é uma segurança extra. O pagamento nestas plataformas já é automaticamente atrelado as entregas, então é uma forma segura de fazer projetos com autônomos. Se eu precisasse contratar um freelancer este ano, contrataria por uma destas plataformas com certeza.

Minha recomendações

Visando reduzir o risco de você me procurar querendo que eu te ajude a resolver seu problema com o freela que contratou, te recomendo:

  • Sempre ter um contrato (bem amarrado) de prestação de serviço;
  • Vincular os pagamentos das parcelas as entregas;
  • Deixar de 20% a 30% para serem pagos após o final do projeto, quando já estiver online e funcionando;
  • Não contratar um profissional que nunca fez (comprovadamente) o que está se propondo a fazer;
  • Preferir contratar através de plataformas, profissionais com notas altas e boas avaliações;
  • Evitar o menor preço de todos, o menor prazo e o otimismo: isso é fácil de fazer.

 

Contratar uma empresa de desenvolvimento

É uma opção não tão em conta quanto contratar um freelancer, e é o principal motivo que levam as pessoas a buscarem os autônomos, para pagar menos.

Na verdade muitas das minhas recomendações relacionadas a freelancers se aplicam aqui também; só contratar quem já fez algo parecido, ter um contrato bem detalhado, vincular pagamento a entrega, e por ai em diante.

Já fiz parte como sócio em cinco empresas de desenvolvimento nos últimos 20 anos, nos últimos 4 anos estou com a App Masters e aprendendo muito com isso.

Garantia de continuidade

Essa é uma vantagem grande de contratar uma empresa, que tem CNPJ, tem um endereço e funcionários contratados que precisam receber seus salários. A empresa precisa entregar algo, precisa concluir o projeto para receber e cumprir com suas obrigações.

Se o principal programador do projeto na empresa contratada resolve se mudar pra Escócia, o projeto ainda pode continuar. A empresa certamente precisará pedir um prazo um pouco maior enquanto passa a responsabilidade do projeto para outro dev do time, ou então até contratar um novo analista para tocar o projeto, mas o projeto continua.

Várias vezes ao longo dos anos, saíram e entraram programadores para o time sem que um projeto precisasse ser abandonado em função disso. Então esta é uma boa vantagem da empresa, ela continua lá e busca manter seu nome cumprindo os compromissos com seus clientes.

Uma equipe pensando ao invés de um marinheiro só

Vejo isso o tempo todo, um time consegue achar soluções muito melhores para os problemas, do que eu conseguiria achar sozinho. Só de ter no time um designer, já faz o projeto ter outro foco, outro ritmo, outra qualidade. 

Quando uma empresa é contratada, várias pessoas são contratadas na verdade de uma só vez. As empresas que entregam melhores produtos normalmente são as que conseguem manter um time bom, com conhecimentos diversificados mas também com especialistas no assunto.

O preço, é o preço

Se você pedir quatro orçamentos de um mesmo sistema, verá que o preço varia absurdamente. Isso acontece por vários motivos, mas o principal dele é que cada empresa pensará numa forma diferente de desenvolver o sistema, por um caminho diferente, e porque cada empresa tem um time com pessoas completamente diferentes.

Talvez o melhor preço, não será a melhor opção. A mais cara também pode ser que não seja pra você. Talvez o que vai realmente importar é o quanto a empresa parou realmente para pensar no seu projeto antes de dar um preço, e se a empresa já tem algum conhecimento na sua área.

O que estou falando é que sua escolha não deve ser totalmente focada na comparação dos preços.

Pequenos pedaços, pequenos atalhos

Ao longo dos anos as empresa vão se desenvolvendo, criando metodologias melhores, formando mais profissionais e construindo conhecimento em programação. Isso irá se reverter em projetos melhores.

De um projeto você sempre leva algo, não estou falando de tirar partes deles para usar em outro, estou falando que se aprende a programar melhor, a entender melhor os padrões, a gerir melhor o projeto em si. É uma luta eterna em querer sempre entregar um projeto melhor que o anterior. 

Neste ponto a empresa se destaca, porque agrega o conhecimento e experiência de várias pessoas, em prol do próximo projeto ainda melhor.

Área de conhecimento

Seu projeto é na área acadêmica? Será que a empresa já fez algo nesta área? Porque, se já tiver feito, eles já entendem bem como as coisas funcionam, já sabem quais informações dependem das outras, e já dedicaram muito tempo refletindo sobre este segmento.

A afinidade da empresa com a área de conhecimento do seu projeto também importa. Na App Masters por exemplo, gostamos especialmente de projetos ligados a educação, saúde e eventos. Não significa que não faremos projetos em outras áreas, mas sendo nas áreas que temos afinidade ou experiência, aumentam as chances de sucesso em um projeto.

Isso também vale para autônomos ok? Mas em uma empresa você terá muito mais chances de ter ao menos uma pessoa que tenha interesse ou prática na sua área.

Minhas recomendações

Pensando em como maximizar o sucesso do seu projeto, seguem algumas sugestões:

  • Busque referências da empresa, se não puder ser por amigos e conhecidos, pelas redes sociais;
  • Quanto mais tempo de experiência a empresa tem, maiores a chances de sucesso no projeto;
  • Se rolar empatia, é mais chance de dar certo, porque será uma relação bem longa, acredite;

Montar uma equipe própria de programadores

Criando uma startup, recebendo um investimento e montando um time de programadores. Vemos esse filme o tempo todo, certo? Se um dos empreendedores não for um analista de sistemas ou quase isso, a chance disso dar errado é altíssima!

Creio que seja a opção com mais alto risco de todas, e explico.

Encontrar programadores é difícil, não é trivial. Uma vez encontrados, selecionar quais são os bons é tão difícil quanto. Uma vez contratados, manter um time em um projeto é a coisa mais difícil que existe para se fazer.

Faço isso há 20 anos e não é nada fácil. Mas, vamos por partes.

Encontrar programadores

A primeira vez organizei um processo de seleção na vida foi em 2003, daria um post inteiro essa história. Atualmente temos até uma plataforma para empresas encontrarem programadores em Juiz de Fora.

A primeira quando alguém quer montar um time, é de criar uma “arte” e enviar em alguns grupos de whatsapp, colocar nas redes sociais e receber os candidatos através de um email. Depois de dois ou três dias você pode olhar sua caixa de emails ter… zero candidatos. Mas você também pode dar sorte e ter lá dez ou mais emails, que ótimo!

O que acontece é que um programador bom mesmo, já está empregado, já está ganhando bem em uma empresa sólida e não fica buscando novas aventuras. A chance é bem alta destes candidatos todos serem estudantes ou pessoas que não conseguem passar em outros processos de seleção. 

Numa entrevista rápida, alguns programadores realmente vão parecer muito ruins, outros parecerão uns gênios. Se você não é um cara altamente técnico, é difícil saber quem sabe alguma coisa ou não. Informação tem em todo lugar, então numa entrevista é fácil se enganar pelo grande volume de informação que um candidato pode ter, mas, será que ele realmente sabe fazer (de verdade mesmo) alguma coisa? 

Montar um time de programadores não é brincadeira

Em alguns segmentos se você contratar três ou quatro profissionais, ter um espaço e começar a oferecer o serviço, já é suficiente para ter clientela e conseguir fazer algum lucro. Um salão de cabeleireiros talvez seja um exemplo.

Mas um time de pessoas inteligentes, é difícil de tocar. Esse pessoal tem opinião forte, são difíceis de se convencer de algo e não gostam de serem mandados o tempo todo.

Uma vez contratado, pode levar de algumas semanas até meses para detectar que um dev não consegue entregar o serviço. Você espera ele aprender o projeto, espera até ele pegar o ritmo, se integrar a equipe… e as vezes este tempo passa e ele, nada. Não entende o projeto, não entrega códigos consistentes, não entende porque os problemas acontecem, não sabe como resolver os problemas que já estão claros o motivo.

“Jogar” quatro devs numa sala e falar “façam meu projeto” é o erro mais comum que tenho visto nos últimos anos. Não funciona, não dá certo. Se você não tem experiência nisso, a chance de dar errado é muito alta. 

Não só é difícil lidar com programadores, como é extremamente difícil criar um software consistente. É preciso ter um equilíbrio em um time, ter alguém com visão de produto, alguém que entenda de design e usabilidade, algum nerd totalmente técnico (quase um hacker, ou um hacker) que irá garantir que a coisa funcione, alguém que saiba o prazo e entenda a velocidade que todos os outros trabalham… amigo, é hard!

A pandemia e a concorrência

Se já não era coisa trivial encontrar devs, montar um time e tocar o projeto, com a pandemia isso complicou ainda mais.

É muito mais difícil manter um time remoto do que presencial, porque é um pouco mais complicado ver o avanço de um projeto a distância. Com as pessoas próximas, com uma volta pela sala você vê o que cada um está fazendo, vê quais duvidas tem e literalmente “vê” em que pé o projeto está. Consegue perceber se algum dev está indo no caminho errado e dizer “calma, não é isso que é pra fazer, vamos ver juntos aqui”. E você faz isso no caminho do banheiro ou enquanto vai buscar um café. No remoto, na maioria das vezes você só verá uma nova parte do sistema quando o desenvolvedor terminar de implementar. Isso pode significar 4 horas, um dia, ou vários dias. Dai, se ele tiver ido no caminho errado… já era, terá que refazer.

Programadores não são por natureza bons comunicadores (eu sou uma excessão). Eles gostam de ficar quietinhos, no canto deles, sem falar nada com ninguém… então o home office pode ser uma cilada para seu novo time.

Se o time nunca se conheceu, ou se um novo dev entra pra um time já formado antes da pandemia, existe uma chance de alguém ficar meio desconectado no fluxo. Presencialmente você conversa, as pessoas se conhecem, ficam amigas e criam até uma certa cumplicidade, um ajuda o outro, um sabe onde o outro é fraco, sabe quando está em um dia ruim. No remoto, isso é bem mais difícil. 

E pra ficar ainda mais apimentado, seu dev pleno que você tanto lutou para conseguir, e está suando para pagar o salário, está sendo assediado por uma outra empresa que paga (literalmente) o dobro do salário, pra ele fazer praticamente a mesma coisa, do mesmo lugar: a casa dele.

Se seu dev fala inglês, aproveite ele logo, porque o salário pode ser quatro, cinco vezes maior.

A culpa não é de ninguem

Quando um grande problema acontece com um projeto, seja uma decisão errada, seja uma implementação mal feita, ou algo que pôs realmente tudo a perder, a culpa será de quem? De um desenvolvedor do time? Do time inteiro? Sua? Se houvesse uma punição, qual seria?

Um time de desenvolvimento tenta a todo custo fazer a roda girar, tenta acertar a cada dia e tenta com todas as forças desenvolver o projeto. Fazer softwares não é fácil, não é mesmo. Então quando grandes problemas surgirem (e surgirão) não pense que terá algum culpado. Todos sentirão o impacto de falhar e isso pode impactar diretamente no ânimo do time. Você estará lá para culpar e ao mesmo tempo mantê-los animados?

Eventualmente os desenvolvedores se cansam de projetos que se deparam com equívocos a todo o tempo. Onde está a gestão? Quem está acompanhando o projeto? Quem realmente sabe quantos % do projeto já está pronto? Falta muito ou falta pouco? Irá realmente funcionar como “o chefe” está esperando? 

Em times com gestão não técnica, é comum o time perceber que o projeto não dará totalmente certo, mas “o chefe” não quer ver isso, e nem quer saber isso, afinal o time é pago para fazer o que precisa ser feito. Da mesma forma em lideranças não técnicas, o projeto as vezes sai do trilho, e isso não é percebido; o time não tem tanta experiência para perceber que estão perdendo tempo fazendo a coisa errada, e a gestão não sabe diferenciar o que é “estar dando certo” para “estar dando errado”. 

Gerir um projeto de software requer muita atenção, muita organização, controle sobre os detalhes e visão global ao mesmo tempo.

Minhas recomendações

Pensando em te ajudar a construir um time de sucesso, segue minhas recomendações:

  • Se você não tem conhecimento na área de programação, prefira não montar um time;
  • Se você não tem um sócio que sabe gerir um time (mesmo que seja programador), prefira não montar um time;
  • Se você nunca participou do desenvolvimento de um sistema, seja como cliente, como desenvolvedor ou analista, prefira não montar um time;
  • Evite contratar empresas “de RH” das antigas, prefira empresas com foco em desenvolvedores;
  • Contrate pessoas inteligentes, porque elas serão melhores em achar soluções que você;
  • Faça testes práticos com cada candidato, usando a tecnologia que usarão nos projetos reais;
  • Não foque em currículo, foque em saber realmente fazer o que é necessário;

Vou escrever um post sobre processo de seleção de desenvolvedores mais na frente.

Outras possibilidades

As pessoas são criativas e a mente humana não tem limite. Além destas três “modalidades” existem outras formas de se conseguir desenvolver um projeto de software, e vou falar rapidamente de duas delas.

Investir em um estudante

Não é muito usual, mas acontece. Basicamente o empreendedor está com muita dificuldade de encontrar quem faça um projeto, ou está achando o valor dos autônomos tão alta, que ele prefere investir em um estudante.

O acordo basicamente é o seguinte; “te pago uns cursos de programação online, e você em troca faz meu projeto”.

Esta é sem dúvida a opção mais barata de todas. Mas, qual garantia existe?

O que posso dizer é que na minha empresa, de tempos em tempos fazemos processo seletivos para estagiários (estudantes), somos muito criteriosos mesmo, escolhemos só os melhores. Ao entrarem na empresa eles passam semanas recebendo muito conteúdo, sendo treinados e participando de projetos reais conosco, e assim vão aprendendo aos poucos vendo como um projeto grande é feito de verdade. 

Se eu pegar um destes estudantes e falar “faz um sistema agora sozinho”, acho difícil de conseguirem.

Imagina então um estudante que tem apenas acesso a cursos online e precisa fazer um produto inteiro, do zero, sem apoio, sem suporte e muitas vezes sem mesmo um projeto para seguir.

Minha sugestão: invista em um estudante, mas não espere (e nem cobre) ter um produto pronto para o mercado ao final.

Ter um sócio desenvolvedor

É o modelo dos sonhos, não é? Tipo o Mark Zuckerberg, o Bill Gates ou o próprio Stevie Jobs.

Comecei a escrever um post sobre isso mas não publiquei (acabei de perceber).

O risco maior em uma sociedade com programador, é para o próprio programador, que irá dar sangue e suor numa ideia que não é dele, sem ganhar por isso (normalmente) enquanto o lucro não vier.

Programadores, em sua grande maioria, não são empreendedores. Quase todos preferem ter carteira assinada (CLT) ao invés de serem autônomos, ou buscarem seus próprios clientes. Programadores gostam de programar, não de correr riscos. Então é bem difícil conseguir um sócio programador no mundo real. A prova disto são os participantes de eventos tipo startup weekend, raramente programadores se inscrevem nestes programas e muitas vezes os times são formados sem um desenvolvedor sequer.

Algumas pessoas também acreditam que todos programadores são cheios de ideias na cabeça, e que se sacudir um deles cairá um monte de “facebooks” dos bolsos, mas não é verdade. Programadores são ótimos em executar projetos de software, costumam ser criativos em resolução de problemas, mas poucos são bons em terem ideias de produtos ou serviços.

Não estou querendo te desanimar. Na verdade já vi alguns casos de sucessos neste modelo, um exemplo são meus amigos Renan Caixeiro e Rodrigo Nunes (o programador) que criaram o Reportei e estão tendo muito sucesso nestes cinco anos juntos. 

Outra coisa difícil também é sair por ai procurando um programador pra ser sócio. Mesmo que existam estes devs, onde eles estão? Teria que dar sorte de esbarrar com um destes em evento de inovação ou empreendedorismo.

Minha sugestão: faça parte de comunidades de programadores, conheça as pessoas e veja se encontra alguém animado em arriscar uma ideia.

Em todos os casos

Seja qual for a melhor opção para você, lembre-se sempre:

  • O código fonte é seu, de mais ninguem, tenha sempre acesso ao repositório com os códigos;
  • O processo de se fazer um software se parece mais com pintar um quadro, do que construir uma ponte, não é exato e requer criatividade;
  • Tente sempre enxergar qual o tamanho do projeto, e quantos porcento já foi feito;
  • Mudanças acontecem, o projeto poderá se transformar ao longo dos meses de desenvolvimento;
  • Não se desespere se atrasar, cerca 80% dos projetos de software atrasam;
  • Mantenha uma comunicação clara, transparente e sincera, evitando desavenças, brigas ou atritos;
  • Acompanhe de perto a evoluçao do projeto, não espere receber tudo pronto no final;
  • Siga o contrato e registre tudo que for combinado por email;
  • Evite em falar no contrato, ou ameaçar a outra parte, mas se for preciso recorra ao apoio jurídico;
  • Dependendo do segmento, o valor total do desenvolvimento do software é menos de 50% do investimento, marketing também custa caro e quase sempre é necessário;

Qual caminho seguir?

Todos os caminhos podem te levar ao sucesso. Meu papel aqui foi mais elucidar algumas possibilidades, destacar algumas ciladas e dar sugestões para seguir com mais segurança.

Te desejo boa sorte com seu freela/empresa/time/estudante/sócio!

Tiago Gouvêa

Full-stack Developer, fazendo códigos desde o século passado. Criador da metodologia "Aprender programação em 20 horas" e diretor da startup App Masters, voltada para o desenvolvimento de aplicativos. Apaixonado por tecnologia e viciado em café.

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Respostas (3)

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  1. Thamyres Guedes

    Até hoje eu defendo que a melhor estratégia é contratar uma empresa de desenvolvimento ou um freelancer muito, mas muito experiente mesmo. Um fullstack que vai do planejamento até a publicação.

    Ter um sócio desenvolvedor, com experiência o suficiente pra ser um fullstack mega blaster desses, ainda ser bom em gestão de tempo e ter tempo livre e vontade de arriscar em um projeto é quase milagre. Eu realmente acho o mais arriscado e quem REALMENTE acredita na ideia e quer levar pra frente, o ideal é por dinheiro nisso e contratar alguém.

    Eu lembro de quando abri a Yunikon e parecia ter o time dos sonhos. Tinha um Backend, um front e um designer, eu já tinha bastante experiência em programação e parceria ser o cenário perfeito, mas ainda sim tivemos muitas dificuldades, tanto em termos de motivação, quanto em organização do tempo e até mesmo pelo fato de que nenhum de nós havia trabalhado em projetos solos antes, só de empresas, o que no final do dia faz muita diferença.

    Minha dica, se for pegar freela, pegue alguém que já tá no mercado a muito tempo, pq tem muita gente que sabe programar mas simplesmente não vai saber configurar um servidor e publicar.

    Se for procurar um sócio dev, tenha em mente que você quer alguém que trabalhe de graça, faça todo o esforço enquanto você, se der certo, ganha, se der errado, não investiu horas de trabalho. Então, valorize MUITO esse sócio, ou melhor perder a esperança no projeto.

    1. Tiago Gouvêa

      É isso é interessante Thamyres. Você já tinha muitos anos de experiência desenvolvendo, fazendo parte de times e participando de projetos, mas quando criou seu próprio time a coisa ficou mais séria, porque gerir o time é bem diferente do que só fazer parte dele.
      Imagina quem nunca fez parte de um time sequer, não é fácil.
      Obrigado por participar Thamyres. 💪

  2. Baraky

    Realmente conheço várias pessoas que partiram pro caminho de montar um time e rapidamente se enrolaram, ainda mais partindo para sistemas gigantes e mal especificados.